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Monday, February 6, 2012

Palavras e Pensamentos


Palavras e Pensamentos
Após ler sobre a criação da fala-amor em Ayvu Rapyta.
Worcester, Massachusetts 22 de setembro de 2011.


Palavras? Pensamentos? Sim!
Palavras e pensamentos se misturam.
Palavra-Pensamento, uma entidade chamada Ser.

Palavras são sons jogados ao ar; é o hálito de vida;
Da vida de alguém sendo transmitida a outro.
Vida que se projeta dos lábios de quem a expira;
De quem aceita que na morte de seu pensamento, a palavra se materializa.
Vida que é recebida por quem a inspira;
De quem aceita que no nascimento de seu pensamento, a palavra se internaliza.

Palavras jogadas ao vento podem ser errantes como estrelas, mas não erradas;
Alguém a encontrará: “A minha palavra não voltará vazia”.
Quando ela voltar, voltará trazida por alguém;
Voltará no hálito de quem a respira.
Só assim, no hálito de vida de quem a sopra de volta para mim,
Tornarei-me ser vivente, ser que respira e transpira, expira e inspira palavras.

Palavras? Pensamentos? Sim!
Palavras e pensamentos se misturam.
Palavra-Pensamento, uma entidade chamada Ser.

Monday, December 5, 2011

Alteridade


Alteridade
Após quadros La Reproduction Interdite (c. 1937) e Le Faux Miroir (c.1950), de Rene Magritte.
Worcester, Massachusetts. 19/08/2011.

Olho-me no espelho em busca de mim.
Descubro que não estou na imagem refletida.
Se gosto do que vejo é porque escondo os defeitos;
Se não gosto do que vejo é porque enfatizo os defeitos.
O olhar é enganoso.
Onde estou?
Se não estou na imagem refletida, então penso: estou dentro de mim.
Salto freneticamente para o interior em busca do eu-perdido,
Preciso encontrar o eu-incompreendido.
Ao aventurar-me em mim mesmo, fico mais perdido do que antes.
Labirintos se formam; a qualquer momento posso ser devorado pelo ego.
Onde está a porta de saída? Preciso sair!
A porta de saída é a porta de entrada.
A saída do labirinto está na entrada.
Na entrada em cena de outrem.
A pessoa que é como eu, mas diferente de mim.
Onde estou?
No olhar de quem olha para mim.
Descubro que estou refletido nos espelhos de seus olhos.
Salto para o seu interior.
Por favor, feche a porta! Não me deixe sair!
Antes que descubras que o teu olhar é enganoso.

Wednesday, November 16, 2011

Águas que Instruem


Águas que Instruem
Após ouvir o “Moldávia” de Smetana.
Worcester, Massachusetts 18 de agosto de 2011.

Sentado à beira do lago aprendo que:
A vida pode ser eternizada, ela não é um rio que podemos desbravar,
Os sentimentos do que foi experimentado permanecem,
Materializam-se as emoções, 
Dissipam-se as memórias.
O racional cede passagem para o irracional.

Sentado à beira do rio aprendo que:
A vida passa, ela não é um lago que posso represar,
As emoções do que foi vivido se esvaem,
Dissipam-se as emoções, 
Materializam-se as memórias.
O irracional concede-se ao racional.

Sentado à beira do mar aprendo que:
A vida vem, mas também vai, ela é um constante mover,
Levando e trazendo emoções e memórias,
Dissipam-se e materializam-se as emoções, 
Materializam-se e dissipam-se as memórias.
O racional afunda-se no irracional; o irracional dissolve-se no racional.

Venha e sente-se ao meu lado e posso aprender que:
No fundo dos seus olhos a vida se perpetua no eterno-presente,
As emoções emergem/imergem e a memória não precisa vir à tona.
O racional cala-se e o irracional... (você me diz).