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Tuesday, August 7, 2012

As Quatro Estações

As Quatro Estações
Um haicai após ouvir as "Quatro Estações" de Vivaldi
Worcester, Massachusetts. 7 de Agosto de 2012

É primavera
Zéfiro sopra brisa
Vida adeja.

Verão sucede
Nótus envia o ardor
Vida aquece

Chega outono
Eurus intermitente
Vida arrefece

Inverno enfim
Bóreas insistente
Vida hiberna

Friday, June 29, 2012

Ser, Existência e Vida.

Ser, Existência e Vida.
Worcester, Massachusetts. 29 de Junho de 2012.

Hoje é meu aniversário. Parei para pensar sobre a vida. Aqui estão minhas impressões. Pensamentos jogados sobre o papel. Não usei método e nem forma, mas somente ideias. Assim penso que fui espontâneo e sincero. Não sei se algum dia eu tentarei melhorar ou apagar tudo aqui escrito. Mas hoje fica assim.

Sou um Ser! O que é Ser?
Ser, do latim sedeo, estar sentado.
Ser é verbo não conjugado, é infinitivo.
Palavra engraçada esta tal de infinitivo.
Parece uma mistura de infinito e construtivo.
Seria o Ser o infinito em construção?
Ou, quiçá, uma construção infinita?
Sem saber, ouso a construir o Ser; infinitas possibilidades.
Quero conjugar: Sou, Fui, Serei. Ele se torna existente.
Porque existe é mais um entre outros. Se torna categoria.
Pensa ser sujeito que observa, mas é objeto que se sujeita.
É alistado, listado e catalogado.
Aqui começam os problemas: problema existencial.
Porque afirma que Sou, descobre que Fui.
E o Serei? Não tem certeza!
O Ser se descobre efêmero, transitório.
A existência é breve, passageira.
A única coisa que não é passageira é a vida.
O Ser precisa de vida e não de mera existência.
Quando se tem vida não se tem problemas.
Há problemas na vida? Quem diz sim,
Confundiu vida com existência.
Alguém já ouviu falar de problema vidal?
Quando o Ser procura por sentido, ele o encontra na vida.
Vida dá sentido ao Ser. Vida não é transitória, é eterna.
Já dizia o sábio: “E o pó volte à terra, como o era,
E o espírito a Deus, que o deu”.
Pó é existência; espírito é vida.
Vida está no espírito, alento que acalenta com suave brisa.
Quando respiro encontro o contraste entre vida e existência.
Quando inspiro lembro ao Ser que há vida.
Inspira a vida e a vida inspira.
Mas, no respirar também se acha o expirar.
O Ser se lembra da existência.
Expira a existência e a existência expira.
No interstício entre inspirar e expirar se encontra o Ser.
Ora afirmando, ora negando. Mas sempre Ser, nunca o Não-Ser.
Infinitamente adejando sentado no sopro da vida.

Thursday, May 17, 2012

Vivendo um ano biblicamente / Living a year biblically

Este vídeo (em inglês com legendas em português) é uma breve palestra do jornalista americano A. J. Jacobs, autor do livro "The Year of Living Biblically" (http://www.amazon.com/The-Year-Living-Biblically-Literally/dp/0743291484/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1337265930&sr=1-1). O interessante é que ele, um judeu agnóstico, tentou viver durante um ano observando literalmente os preceitos bíblicos. Vale a pena conferir, pois além de informativo é bastante divertido.

Monday, April 16, 2012

O Artista

O Artista
Após meditar sobre a pintura Blue Skies de William Utermohlen
Worcester, Massachusetts 16 de Abril de 2012.

_Sentado sozinho em meu atelier, procuro encontrar o sentido da minha existência. A parede que me aprisiona é refletida na cadeira que me apóia e na base da mesa que me dá sentido de existência: a minha criação. Sou artista, da minha arte me alimento!
_Será que o tom laranja mórbido é a minha história de vida? O que me apóia é o que me  aprisiona?
_Enquanto criava eu pensava que era livre, mas seria realmente um prisioneiro?!
_Porém, entendo que a minha arte tem um sentido amarelo vívido, reluzente como o ouro ou brilhante como o sol. Por isto, me agarro no amarelo da vida, não no laranja mórbido da existência que é passageira e efêmera.
_Também capturo com a minha destra o copo, mas que não sei de devo dele beber. Pois me pergunto o que nele está: seria o refrigério da água da vida ou o fel da existência?
_Sobre o branco que me calça, me veste e que está acima de mim, fazendo da parede também uma janela, só posso dizer que ele expressa a minha busca.
_Tenho dúvidas e indagações, mas tenho também uma certeza que o azul do céu é o infinito que me apóia os pés e que me reveste. Quando tudo passar: o tempo, a memória, a certeza e a dúvida; algo ficará: o infinito que encontra o seu fim dentro da minha vida que se projeta além da efêmera existência.

P.S. A pintura pode ser vista em:
ou através do google image digitando o título da pintura e o nome do pintor.

Wednesday, March 14, 2012

Pensar e Ser ou Ser e Pensar?


Pensar e Ser ou Ser e Pensar?
Após apreciar escultura “O Pensador” de Auguste Rodin
Worcester, Massachusetts. 5/12/2011.

Sou o que penso ou Penso o que sou?
Pensar é transcendência, ser é imanência.
Pensar é lançar-se, ser é fincar estacas.
Enquanto penso: não sou, mas busco ser.

Mas, como pensar sem ser?
O pensar rouba do ser o material de sua existência.
Todavia, o ser rouba do pensar a possibilidade de outras existências.
Enquanto sou: não penso, mas realizo.

Mas, como ser sem pensar?
Se sou o que sou é porque penso no que sou.
Não me vejo como ser se não for ser-pensante.
Ou será que na realidade sou simplesmente pensante em busca do ser?

Então descubro:
Enquanto penso viajo ao infinito, mas habito no finito.
Enquanto penso estou ausente, mas presente.
Enquanto penso não sou, mas sempre sendo.

Então admito:
Pensar é potencialidade, é criatividade.
Ser é atualidade, é materialidade.
Pensar é evento, é imaginar.
Ser é essência, é simplesmente estar sendo.
Pensar é multiplicidade, é maravilhar-se.
Ser é substanciar-se, é frustração.

Monday, February 6, 2012

Palavras e Pensamentos


Palavras e Pensamentos
Após ler sobre a criação da fala-amor em Ayvu Rapyta.
Worcester, Massachusetts 22 de setembro de 2011.


Palavras? Pensamentos? Sim!
Palavras e pensamentos se misturam.
Palavra-Pensamento, uma entidade chamada Ser.

Palavras são sons jogados ao ar; é o hálito de vida;
Da vida de alguém sendo transmitida a outro.
Vida que se projeta dos lábios de quem a expira;
De quem aceita que na morte de seu pensamento, a palavra se materializa.
Vida que é recebida por quem a inspira;
De quem aceita que no nascimento de seu pensamento, a palavra se internaliza.

Palavras jogadas ao vento podem ser errantes como estrelas, mas não erradas;
Alguém a encontrará: “A minha palavra não voltará vazia”.
Quando ela voltar, voltará trazida por alguém;
Voltará no hálito de quem a respira.
Só assim, no hálito de vida de quem a sopra de volta para mim,
Tornarei-me ser vivente, ser que respira e transpira, expira e inspira palavras.

Palavras? Pensamentos? Sim!
Palavras e pensamentos se misturam.
Palavra-Pensamento, uma entidade chamada Ser.

Monday, December 5, 2011

Alteridade


Alteridade
Após quadros La Reproduction Interdite (c. 1937) e Le Faux Miroir (c.1950), de Rene Magritte.
Worcester, Massachusetts. 19/08/2011.

Olho-me no espelho em busca de mim.
Descubro que não estou na imagem refletida.
Se gosto do que vejo é porque escondo os defeitos;
Se não gosto do que vejo é porque enfatizo os defeitos.
O olhar é enganoso.
Onde estou?
Se não estou na imagem refletida, então penso: estou dentro de mim.
Salto freneticamente para o interior em busca do eu-perdido,
Preciso encontrar o eu-incompreendido.
Ao aventurar-me em mim mesmo, fico mais perdido do que antes.
Labirintos se formam; a qualquer momento posso ser devorado pelo ego.
Onde está a porta de saída? Preciso sair!
A porta de saída é a porta de entrada.
A saída do labirinto está na entrada.
Na entrada em cena de outrem.
A pessoa que é como eu, mas diferente de mim.
Onde estou?
No olhar de quem olha para mim.
Descubro que estou refletido nos espelhos de seus olhos.
Salto para o seu interior.
Por favor, feche a porta! Não me deixe sair!
Antes que descubras que o teu olhar é enganoso.